quinta-feira, 14 de maio de 2009

Ufa!


Eu queria saber o que me entristece e me amarga a boca, o que me cala e me faz refletir. Eu preciso me expressar e transpassar o que está preso aqui dentro, há sentimentos enjaulados querendo escapar. Eu daria minha vida por uma folha em branco e uma caixa de giz de cera, e deve ser por isso que eu tanto invejo as crianças que não tem preocupação nenhuma com o mundo, tudo é novo e excitante. Eu nem sei muito bem o que eu quero da minha vida e recuso todas as propostas imaturas de “prisão” domiciliar, estadual e nacional. Eu quero ver a vida de vários ângulos e enquadramentos, eu quero mandar em mim. Eu quero acordar e não pensar no ontem, muito menos no hoje ou no amanhã. Não quero planos, não quero erros, muito menos enganos. Quero que tudo seja involuntário e realmente da forma como eu desejar que seja. 

terça-feira, 7 de abril de 2009

Minha Escolha, Meu final


Você segurou minha mão e disse que se manteria por perto. Você se deitou por cima de mim e acariciou meu rosto com a ponta dos dedos, e me disse que quando eu precisasse você estaria do meu lado. Eu me senti protegido, mesmo estando no lado mais escuro da minha bipolaridade. Você disse o quanto eu era foda e o quanto fui o melhor e mais importante homem que já teve na vida. Eu acreditei. Mas se eu pudesse ter caminhado três anos adiante o futuro, e visse que você iria embora em alguns meses preferia nunca ter cruzado o mesmo caminho que o seu. Mas tudo bem, eu não sabia. Eu acreditei.

 

Me sinto tão perdido e sem rumo. Parece que eu preciso de você, mas pra qualquer lado que eu olhe você não está. Você disse que estaria por perto, eu acreditei. Eu me lembro das noites de chuva, do sexo no carro, dos planos, das viagens, dos discos, de tudo. Cadê você porra? Tão longe fisicamente e tão perto dos meus pensamentos, de tudo que eu sou. Sinto falta da sua voz na mesa de bar, da sua forma politizada de entender as coisas, sinto tanta falta de você. Eu realmente acreditei que você se manteria por perto, mesmo sabendo que isso não me faria muito bem. E agora me vejo perdido num vazio de insegurança no qual eu mesmo me joguei.

 

Eu sei que isso pode um dia passar, já houveram sentimentos semelhantes e eles foram resolvidos, absolvidos de continuarem vagando ao meu redor. Mas no momento é assim que eu quero estar, e é assim que eu vou ficar. Quero me lembrar de você o máximo que eu puder antes que você se apague completamente da minha cabeça e suma por ai. Mas por enquanto essa é minha escolha e é assim que vai ser.

 

Ilustração do filme "The Nightmare Before Christmas" Tim Burton

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Tudo ou nada

Eu acho que desacreditei. Desaprendi. Não há esperança, é tudo cinza. Por mais que eu continue tentando, não sei se valerá à pena. Parte de mim se rendeu a não te amar mais, outra ainda pensa que talvez isso possa mudar. Tudo que passamos e pensamos juntos desmoronou. Despedaçou-se. Não sei mais o que eu sinto, se te amo ou se apenas finjo. Preciso de um tempo só pra mim, sem ter noticias sobre você. Preciso saber se é tudo ou nada.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Duas horas atrás



Segue reto e vira direita. Foi isso que ela me disse há duas horas e eu não consigo achar o maldito caminho. Já rodei tudo e parece que sempre saio no mesmo lugar. Por isso me sentei nesse banco de praça e aqui estou, analisando as opções. Nunca vi tantas ruas, avenidas, becos, estradas interligadas darem num mesmo lugar. Que bosta, o que eu faço? E o duro é que não passa ninguém por aqui, nem uma alma, nem sequer um vira-lata pra me fazer companhia. Antes ter ficado por lá, duas horas atrás.

Tenho vinte e três anos. Já morei numa porrada de lugares. Meu pai é representante, então nós vivíamos viajando, migrando. O foda de tudo isso era a escola, quase sempre me dava mal. As matérias mudam, os amigos não são os mesmos, você não tem mais aquela moral com as garotas. Dizem que o ser humano se acostuma facilmente com mudanças. Tenho lá minhas dúvidas, porque toda vez que tenho que mudar, seja o que for, me dá um medo filha da puta.

Não faço nem idéia do tempo que já passou, ou que horas são. Já apoiei os pés no banco, já sentei no encosto das costas e coloquei os pés no lugar de sentar, já liguei e desliguei o mp3 uma dezena de vezes, já perambulei pela praça e forcei os olhos tentando descobrir qual seria o fim de cada uma dessas possíveis escolhas. Deve ser o mal dos vinte e poucos anos, não sei o que fazer, não sei pra onde ir, não sei o que e a quem amar. Hoje eu quero muito ser astronauta, amanhã eu quero ser uma estrela do rock, e por vezes eu me pego pensando em porque eu não fiz medicina veterinária, ou educação física. Bem, seja lá o que for, vou tentar. Qualquer coisa eu volto no meio do caminho e tento de novo, ou não. Sei lá.

Ilustração: Radael Jr.

Catarse



No tempo que fiquei sem escrever estava produzindo esse curta-metragem. O roteiro é uma adaptação do conto "Apenas um Carro Quebrado a Distância", desse blog.

Elenco: Leonardo "Foca" Magalhães, Fernanda Bellumat e Artilio Netto

Direção: Ramon Rodrigues
Co-Direção: Fernanda Novaes
Produção e Roteiro: Artilio Netto (Teo Netto)
Assistente de Produção: Karla Cristina
Montagem: Ramon Rodrigues e Leonardo Magalhães

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

O Pedido


Você me acordou e percebi na sua feição que havia algo a ser dito. Respondi sorrindo com o canto esquerdo dos lábios, você fechou os olhos. Havia algo estranho, uma sensação nunca vista preenchia todo o quarto como uma imensa fumaça de dúvidas, vontades e intenções. Percorri seu corpo com meus olhos em busca de perguntas sem respostas, mas você se encolheu aos poucos até se cobrir por completo. O silêncio era quase que completo, assim seria se não fossem nossas respirações. Seu cabelo caiu aos olhos e me tirou a visão completa do seu rosto. Deslizei minhas mãos por suas costas, acaricie seus cabelos.

Você virou o rosto de supetão e a luz que entrava pela fresta da janela refletiu nos seus olhos emitindo um brilho fantástico. Soprei seus cabelos até que eles mais escondessem seus olhos. Olhei fixadamente por um tempo. Uma frase me veio à boca, engoli a seco. Você percebeu. Envergonhei-me, devo ter ficado com as maças do rosto vermelhas. Senti que sua mão acariciava meu rosto. Era a hora, o exato momento. Eu sabia. Estávamos só eu e você, não tinha como não ser agora.

- Namora comigo?

Você sorriu uma risada dessas escancaradas, apaixonada, a qual eu não quero largar jamais.

sábado, 21 de junho de 2008

Honey


As luzes se apagam e você entra em cena, somos eu e você. Eu não consigo me controlar ao seu lado. Você me ascende e me envolve o tempo todo, as horas viram minutos e os minutos segundos. É uma loucura. Nós nos grudamos e eu já não consigo mais me desprender. Você me dá tanto tesão, vontades, desejos. Me faz explodir. Não sei muito bem o que acontece, é como se você ativasse todas as minhas reservas de energia. Eu nunca me canso, eu sempre quero mais, e mais. Me dê mais.


Gosto da forma que você me agarra e me prende entre suas pernas, enquanto crava as unhas nas minhas costas e desliza. Nem forte, nem fraco, preciso. Perfeito. Na medida certa. Seus olhos, sorrisos, tudo em você me excita. Gosto de te empurrar contra parede e sentir seu corpo junto ao meu. Seus suspiros, saindo como um sopro baixo e agudo me arrepiando dos pés a cabeça.


Eu quero você agora. Bem mais do que eu queria ontem. Toda hora, por todos os instantes, por quanto tempo for necessário. Me empresta você, seus olhos, sua cara de criança e esse seu sorriso largo e verdadeiro. Eu te dou permissão, me invada.